os tremoceiros competiram em altura com as couves galegas e o vento fez a habilidade de os tombar desordenadamente pela horta. encontro o pequeno espaço onde compito com os caracóis todo desgrenhado. a terra está dura para ceder às estacas que tento enterrar para trazer alguma ordem àquilo, enquanto o rapaz sua as estopinhas para arrancar da terra as couves vergadas pelo peso das sementes. foi arrastado à força, quase, para aquela tarefa, o rapaz que vive para a arte, habituado a telas, pincéis e canetas micron.
a mim, cai-me um desânimo trazido talvez pelo nevoeiro frio que se faz sentir nos ossos. têm sido tempos estranhos, estes, em que o passado entra aos rebolões e o presente escarnece da ideia de futuro.
os caracóis ganharam terreno e nem os pequenos feijoeiros pouparam. presenteei-os com um granulado biológico como aperitivo para a próxima investida nas minhas poucas culturas.
