a terra está pesada, ou eu estarei fraca de braços...
vou eu falando comigo mesma enquanto agarrada à enxada numa tentativa de fazer um buraco grande para enterrar o entulho. mas não é fácil. o peso da chuva ainda se faz sentir na terra compacta coberta de ervas que se dizem daninhas.
salva-me o senhor jeremias que se aproxima apoiado na sua bengala. só não precisa dela para trabalhar na horta. aí não lhe falha a perna. assim como eu, que chego lá toda escalhambada e logo logo fico boa. [o bem que isto me faz.... comento sempre nem que seja com as couves espigadas].
com os seus dois dentes e voz arranhada diz que viu o meu carro e foi visitar-me. oferece-me salsa e hortelã-baunilha para plantar. digo-lhe só, forasteiro, que aroma, que maravilha!
benjamim e sua amiga bengala vão-se embora, devagar, pelo caminho estreito que divide os talhões da horta comunitária e eu derreto-me sempre com a ternura que vejo que sinto.
