O casal aproximou-se da máquina e tirou um ticket. Ele e ela sentaram-se ao meu lado.
- só tens de esperar que chamem o teu número e mais nada! - disse ela rispidamente, perante a intenção dele de se dirigir à recepção.
Eu observo o casal de esguelha, e inevitavelmente atento aos modos. Qual dos dois estaria doente, não percebi, embora ele parecesse mais frágil, com metade do volume dela.
Mas fiquei ali a pensar, até porque não tinha mais nada para fazer, nas voltas que os dias têm de dar para se transformar o entusiasmo de um enamoramento, naquela maneira de se mostrar, de se parecer, de se ser um com o outro. E mesmo assim permanecerem juntos, aturarem-se, cruzarem os olhares, um no do outro, sem se envergonharem.
