quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

zero

 




os meus vizinhos sacham energeticamente a terra e fazem canteiros com tábuas que delimitam as espécies de culturas que plantam e semeiam, com um aprumo e método de fazer inveja. a mim faz.

já eu, contorno com pedrinhas tudo o que nasce espontaneamente - amores-perfeitos, salsa, coentros, hortelã, framboesas, ervilhas, tremoços, espinafres, alho francês. tenho cá para mim que dá mais trabalho e menos aparato preservar o que é espontâneo do que desfazer e refazer.

olho para o meu vizinho, de calções em pleno inverno, sapatilhas e meias quase até ao joelho. está seguro do que faz, do método que aplica, e, sorri-me. eu, vou conversando com a terra e com os vegetais, desculpando-me aqui, agradecendo ali, e, forasteiro, sei lá... dizem as leis que em cima é como é em baixo, eu digo que na horta como na minha vida - lucrinho zero.

és uma lírica, diria o meu pai, e não me soava a grande coisa. 





3 comentários:

  1. ehehehehehe, também sonho um dia saber fazer canteiros e aqueles montes perfeitinhos
    mas o espontânea nã dá frutos, é preciso semear, plantar, dedicar à terra as melhores sementes... guarda um canto para os espontâneos, experimenta mudá-los de sítio... eu mudo tudo, até alfaces (leva-os com a terra, algumas coisas nã se importam nada)

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  2. outra coisa: sachar é preciso, antes de plantares, abre buracos como se fosses enterrar alguém

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    1. Não sentes a dor da terra? E atreves-te a mudar um amor perfeito?

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