Eram já passados 8 dias em que a tripulação desta carcaça não recorria a artificialidades para manter o equilíbrio no mar alto. Com os olhos postos no azul profundo que lhe indica infinitos tangíveis, a auto-amotinada estranha-se. A ausência de muletas era impensável ainda há pouco tempo, e a confiança num timoneiro a mais longínqua das probabilidades. E tudo aconteceu, conforme o imprevisto.
Enquanto a sua alma coça a rala barbicha queimada pelos desacatos entre o sol, o mar e o vento, tenta mediar um entendimento entre a impermanência de tudo e o dura-d-ouro. Se por um lado um promete leveza e maleabilidade, o outro oferece estabilidade e pertença. A seu favor tem uma imensidão de vazios por onde se lhe alarga o pensamento numa nomada rebeldia.
[oitocentos dias decorrerão sem amparos, dissera o timoneiro, sem que se percebesse se seria bênção, se provação]

Oitocentos dias sem terra à vista? Isso é demasiada navegação. :)
ResponderEliminarFeliz 2022, ana!
Então será provação!
ResponderEliminarFeliz Ano, Luísa!