segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

800 dias passaram






800 dias passaram e o vento tem estado de cima. Nem norte, nem sul, de cima. 
A vela que vejo aprisionada ao mastro rodopia de forma estranha, num encaracolar descendente. Quer-me parecer, daqui sentada no convés com a lareira aos pés, que foi esta desorientação eólica que provocou o desaparecimento dos dias, e das noites, enredemoinhando as cronologias para esta aproximação do passado com o futuro. 
Por isso, aqui estou a dar notícias, apesar do '800 dias passarão...'
Ora, os redemoinhos quando nascem é para todos, dizem os saberes justos do povo, e eu nem me atrevo a discordar, pois se por baixo de mim a maré parece serena, acima de mim é este desgoverno ventoso. Mas aqui estou, com um manual de instruções no colo e um par de socas fúchsia colado a um íman tentando descortinar o encortinado.





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