sábado, 27 de junho de 2020

aluimento









pai...
pronuncia a mulher, sentada de madrugada em frente a um copo de café fraco. com o corpo mal sentado, inclinado sobre a mesa, aproveita o silêncio da manhã
pai... preciso de ajuda...
às vezes a vida foge-lhe. às vezes alui. às vezes tudo se conjuga e o seu coração recolhe, recriminando-se pelos tropeços de estar vivo
pai... estou envelhecida e cansada...
e lembra-se da mão morna e branda do pai, na sua, naqueles momentos de tanta fragilidade
perdoa-me, pai, por te perturbar com as minhas dores humanas, por não te deixar repousar...
sempre se espantou com o fenómeno do aluimento. sobre o que acontece ao que preenchia aquele espaço onde passou a haver um oco escuro de contornos esboroados, como o que acontecia naquele momento, em que ela mesma aluía porque transbordava
















8 comentários:

  1. Olá, bom dia ! belíssimo post. Meu blog:
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    estou seguindo você !

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    https://magiaepurpurina.blogspot.com/

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  3. Se o meu abraço ajudar, Ana... encoste-se a mim. :)

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  4. curioso… ainda esta semana invoquei uma ajuda parecida e ela ouviu-me, também lhe pedi desculpa, já tenho tamanho para cuidar dos meus problemas, mas às vezes as forças parecem feitas de esparguete… estamos aqui :)

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    Respostas
    1. esparguete cozido mais de 8 minutos... estamos juntos :)

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