quinta-feira, 21 de setembro de 2017

para não implodir





















este é daqueles posts feios, que não se devem escrever. mas se me perguntarem
- ana, porque escreves?
- é que se não o fizer, impludo.
então aqui vai.
não sei como foi, mas o louis amstrong estava a cantar o what a wonderful world, quando, depois de ouvir o que ouvi, e não foi a música, a raiva tomou conta de mim. e aqui, sim, eu sei porque tomou conta de mim. é normalmente quando menos espero, que as emoções me atraiçoam. é assim também que se apanham doenças, e que se pensam coisas más, daquelas de quase desejar coisas menos boas a pessoas, assim de repente, saído mesmo cá do fundo, como daquela vez que a minha avó sabendo de uma amante do meu avô, e no dia seguinte a mulher estava morta. é coisa de família, coisa pouca, sabem.
então eu avisei - quando eu parar de o chamar de filho da dita, enterro-o - e chamei, chamei sem parar a tarde toda, enquanto que o spotify, em offline, tocava a tal do louis. e vou enterrá-lo. digo-vos aqui para que mo lembrem, pois já não é a primeira vez que o faço. vou enterrá-lo.
ah... é o dia mundial da paz.











dias e dias






há dias e dias, pois há. e hoje é um dos outros dias. 
chego ao talho e estão os três funcionários, duas mulheres e um homem, a atender uma senhora. três para uma, portanto. eu, como sempre cheia de pressa, tão cheia de pressa que ando sempre, que faço as encomendas sempre de véspera, às vezes com várias vésperas, mas hoje ia ainda com mais pressa do que o costume, e deparo com os três, que quanto menos há para fazer, menos apetece fazer, com ar molenga, mesmo tipo songamonga, e parece que é moda dizer 'tipo' isto ou 'tipo' aquilo, que quer dizer que é, mas não é, mas é.
- vamos lá andré! está a dormir ou é a falta do barrete - o andré estava sem barrete - que deixa que as ideias lhe fujam todas do cérebro e não ata nem desata.
- estou à espera, dona ana, para acabar de servir esta senhora - ora a senhora já estava a ser atendida pelas outras duas, também.
- ora andré... em vez de ter as mãos aí penduradas ao lado do corpo, trate de me despachar.
- hoje a senhora...
- pois é andré. recebe o seu ordenado quer trabalhe, quer não, pois é? dinheirinho garantido ao final do mês deve ser bem bom, e férias pagas e tudo. se ganhasse conforme o que trabalha, passava-lhe o sono no instante.
o andré passa a mão na testa, esfrega a nuca.
- quer que lhe leve os sacos ao carro?
- não, andré, obrigada. se tivesse que esperar por si, nem amanhã lá estava.
as funcionárias riam-se e o andré olhava para mim, calado.