quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

da saudade



















Primeiro a saudade provoca uma náusea, aquela impressão estranha dentro da barriga, depois fere, dói e de seguida dilacera, rasga a carne sangrando. Finalmente habituamo-nos, e a falta que nos veste torna-se pele. Está e não se sente. O segredo é não acordar a lembrança.

foto - pieces of soul

terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

o tio rui










O tio rui está cá. O tio rui é irmão da mãe e nós adoramos o tio rui. A mãe costuma dizer que ele é o centro de memória da família. E é. A mãe não se lembra de nada, o tio rui lembra-se de tudo. Fuma como uma chaminé e quando está cá ele e a mãe bebem whisky pelo mesmo copo, nunca sabemos quem bebe mais ou menos (eles sabem), mas ela só bebe quando ele cá está. O tio rui fala muito sobre as viagens que faz por África e sobre os pretos e sobre a política e sobre as religiões. Quando está por África conta-nos que come de tudo, macaco, morcego, papa-formigas, tudo. Não sabemos ao certo qual é o trabalho dele, a mãe diz que ele é o 007 e ele diz que é jornalista. O tio rui está a tirar um curso universitário de ciências políticas. Ele já tem 44 anos mas resolveu agora andar na universidade no porto, não sei bem como é que ele faz porque ele mora normalmente em paris, parece que é pela internet que ele tem aulas e veio cá agora porque tem testes ou frequências, que acho que é o que ele diz que se chamam os testes dele. Ele normalmente tem a melhor nota da turma. Eu adoro quando o tio rui vem cá. Diz muitos palavrões, faz-nos rir, conta-nos as histórias da família, bisavós, trisavós, sei lá!!! Conta-nos dos nossos familiares da Alemanha, do Brasil, de todo o lado.
O tio rui faz parecer que a nossa pequena família é enorme, como realmente podia ser, porque são muitos, mas não é, porque são poucos os que contam.
Nós adoramos o tio rui.

United Nations Climate Change Conference Copenhagen 2009




domingo, 6 de Dezembro de 2009

querida z








É verdade, ando alérgica ao computador, o que é um problema, pois algum do meu trabalho depende desta coisa.
Estamos quase no Natal, e sabes, invariavelmente nesta altura em que as pessoas fazem as suas listas intermináveis de compras, prendas para oferecer por vontade ou obrigação, retrocedo talvez 30 anos e torno a ver aquela velhinha, de aspecto humilde e pobre, na rua de Cedofeita no Porto que pegava naquele lençinho de mão branco, bordado num canto com um ramo pequenino de flores. As mãos acarinhavam o lenço, e perguntava o preço devagarinho, uns cinco escudos talvez, e tornava a pousar o lenço no balcão. Sabes z, passem os natais que passarem e aquela imagem. E sabes z, e de novo na caixa de um supermercado alguém que compra meia dúzia de enfeites dourados para uma árvore de natal, como quem compra uma jóia, com mais cuidado do que quem compra uma jóia.
Mas sabes ainda z, por esta altura em que já se cheira a natal, também há quem lute por algumas árvores, por um jardim, alguém que grita para que salvem as árvores do seu jardim, com todas as forças, com toda urgência. E eu acho que esse sufoco vegetal tão humanizado, tão desesperado, vai perdurar.
Minha querida, a vida acrescenta-nos, a nós se a memória não nos falhar, aos outros no reflexo do que fazemos.

quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

sobre a gratidão






pelo criativemo-nos cheguei aqui e colei. religião à parte, é sobre a gratidão, pelo que é que estamos gratos...



força de viver



quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

gran torino
















Este feriado vi o Gran Torino, de e com Clint Eastwood. Os miúdos colados ao ecrã. No final só disseram "não queria que o velhote morresse...", e eu a pensar que Clint nunca irá ser "velhote", é daqueles que não têm idade, passe o tempo que passar.

terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

pc avariou








O pc avariou, deu o berro, desistiu. Perdi documentos, correspondência, fotografias, programas, a barra dos favoritos com todos os meus caminhos. Enfim. Desleixos electrónicos.
Trabalhar com um novo é como entrar numa casa que não é nossa, usar uns sapatos que magoam, conduzir um carro emprestado. Nem apetece mexer.


ps - era um Acer. Começou por queimar o leitor de cd, depois foi uma entrada de usb, depois outra, depois ficou toda às risquinhas e por fim deixou de ligar e só fazia estalidos... Era um Acer. Agora é Toshiba mas nem apetece mexer.

segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

Fernando Pessoa
















Fernando Pessoa morreu há 74 anos, vítima de cirrose hepática aos 47 anos, em Lisboa. Sua última frase foi escrita em Inglês: "I know not what tomorrow will bring... "

Isabel dos Santos







Isabel dos Santos, filha do Presidente angolano José Eduardo dos Santos tem cada vez mais negócios no seu país de origem e em Portugal. Mas nada disso a faz alterar a sua postura de total discrição, o que dificulta a resposta à pergunta: afinal, quem é Isabel dos Santos, e como é que tem montado o seu império empresarial?

foto daqui

domingo, 29 de Novembro de 2009

Almoço de domingo e o frei Tomás









Por imposição dos miúdos o almoço de domingo é feijoada, em casa dos avós como quase todas as refeições.
O telemóvel no bolso à espera da tua mensagem, e o rui a olhar para mim com atenção e “para que saibas estás com mais rugas” e aponta “aqui na testa uns riscos assim e aqui dos lados, muitos riscos assim”, e eu “ai sim? E o que queres que faça?”, e o telemóvel no bolso à espera da tua mensagem, e ele “nada, é para que saibas”, como quem me quer pôr no meu lugar, não vá eu pensar que sou melhor do que o que realmente sou, e eu “são os sinais do tempo, da vida”, e ele “são rugas”, e eu à tua espera.
E o Carlos a mandar mensagens, e eu “tem juizinho”, e ele “ai, ai, o que queres dizer?”, e eu “sabes muito bem, comporta-te” e a minha mãe à defesa do neto “vê lá se , com 15 anos queres que ele seja fiel para sempre", e eu “quero que ele seja coerente, que não se comprometa se não quer compromissos, e que não as comprometa a elas”, e ele, “ai, ai, o que queres dizer?”, e eu, a insistir “sabes muito bem”, e ele sem saber como eu sei e o telemóvel no bolso à tua espera, e eu, “não quero que aparentes o que não és”, e eu a pensar em ti e no frei Tomás...

sábado, 28 de Novembro de 2009

é sábado, fim-de-semana

















É sábado. Chove como eu nunca vi. Deixo os rapazes à porta da piscina às 7.30 e vejo-os afastarem-se. Mochilas às costas, fim-de-semana, dizendo que não à preguiça, vencendo o corpo que se queixa de cansaço de uma semana de treino, treinos bi-diários às vezes.
É sábado, fim-de-semana, e logo de manhã, eu, ainda por cima, não se esqueçam dos testes que têm para a semana, organizem o tempo. E o Carlos, no domingo também vou ao treino às 8h00, arranjo boleia. E eu olho para eles, e bolas, admiro estes miúdos, e mesmo assim, dou-lhes cabo da cabeça, meninos, a vida não é só Play station, têm testes para a semana, organizem o vosso tempo.

quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Lua Nova











O que Stephenie Meyer não esperava era que o desejo provocasse no público emoções mais fortes que a própria concretização. Ou seja, que a abstinência absoluta criasse uma tensão sexual tão forte que levasse à criação espontânea de uma nova categoria literária, a tal pornografia da abstinência.


«É excitante e não particularmente ameaçador porque eles não são abertamente sexuais», explicou Stephen King, também ele autor de best-sellers. «Grande parte do lado físico acontece através de um toque no braço ou pela passagem de uma mão pela pele.

"What's age got to do with it?"














Anna Mae Bullock, Tina Turner, faz hoje 70 anos

quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

jardim do principe real













Diz o Tiago, «O que hoje me faz pensar nas árvores é o que lhes está a acontecer no jardim onde todos os dias tomava o pequeno almoço, a imperial de fim de tarde, ou lia o jornal de manhã (ver Ilustrações 2 e 3). Todas as árvores do passeio do Príncipe Real, que faziam e formavam uma primeira muralha de verde junto ao jardim central estão a ser cortadas.
A violência da coisa não pode ser descrita por palavras e como sempre seriam preciso um bom fotografo, que não sou, para captar a desolação do lugar.»


Petição on line dirigida à Câmara Municipal de Lisboa para que coloque a debate público o plano dito de requalificação do Jardim do Príncipe Real e pare imediatamente de tomar medidas irreversíveis como o abate das árvores.

um minuto ou dois








De segunda a quinta vou para as aulas, um curso de flash ou animação, nem sei bem como lhe chamam, nem me importa. Perguntam-me porquê, e eu, sei lá, é daquelas vontades de entender como se faz. São três horas ali em que não há espaço para pensar em mais nada, ou quase nada, porque sempre vou espreitando a net e pondo em dia o trabalho, entre explicações, e códigos, e exercícios, e a minha incontrolável colega, sempre atrasada, sempre pedindo ajuda.


As aulas são no Centro de Juventude onde existe a Academia de Música e onde ao fim do dia já há pouco movimento de pessoas. Aquele minuto ou dois, não é mais do que isso, em que eu percorro o corredor ladeado pelas salas da academia e onde no silêncio do fim do dia ouço, passo a passo, um piano, um violino, uma flauta, um canto, esse minuto é razão suficiente para que passe lá 3 horas ao fim de um dia de trabalho aprendendo coisas que não me servem para nada.
Um minuto ou dois, não é mais do que isso, em que demoro os passos.

foto daqui

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

estaco







Estaco em frente às tuas palavras ... «recordo apenas o esquecimento» ... e, sabes, reconheço as figuras das tuas imagens, pequenas, repetidas, rostos, espaços, objectos, casas, ruas, águas, sentimentos, terra, paisagem, cores, caminhos, História, e amor aqui e amor ali de diversas formas. É isso a memória, a minha, em desatino, à solta, à toa, e de vez em quando uma dessas figurinhas que salta cá para fora e desata a contar pedaços de ter sido e a trazer tempos esquecidos e atrás desses tempos outros ganhando vida novamente. Como quem sacode o pó de um quadro.

Não dormes tu?














Perguntava-te ontem, por esta hora se não dormes, mas sabes, quem não dorme sou eu. Cai-me tudo em cima à hora de deitar, até o Zé Pedro, às 11 da noite quando ainda nem parei de trabalhar, mãe passa-me os esquimós para power point para eu levar na pen para as aulas. E eu furiosa. E eu, Zé isto são horas?, e eu, tenho lá obrigação de ter power point em casa, e desde quando computador é material escolar obrigatório, e porque é que não faz o orlando o trabalho, e eu, Zé tu estiveste a jogar Play station o dia todo, e eu, Zé amanhã não pões as mãos na Play station, e ele, fogo, ao menos leva-me à escola o trabalho no intervalo, e eu, furiosa porque não vou ter tempo para nada, e eu a pensar que é um trabalho de grupo, e eu a passar os esquimós para o power point. E o Rui, às 11.30 da noite e a estudar para o teste de hoje, e eu danada também, porque esteve todo o dia também a jogar aquilo, e eu, amanhã nem pensas em pôr as mãos naquela coisa que ainda vai voar pela janela fora, e ele que nem quer saber pois hoje vai ter aulas o dia todo. E o Carlos, no quarto a estudar biologia, e calem-se que eu nem consigo estudar. E eu a ir para a cama assim furiosa, sem lhes dar o beijo que me aconchega a noite, tarde, sempre tarde para mim, e a acordar cedo, mais cedo do que preciso, mas com os olhos secos do sono que não tenho e quando me levantar nem conseguir abri-los de precisarem dormir.
Não dormes tu?
E antes de sair para a rua, olho para o relógio e parece que tenho tempo de deixar isto por aqui, antes que se desfaça na minha memória podre.

segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

Obrigada por falar, doutor












Olha que é tipo fábrica, entras por um lado, fazem-te os exames e sais pelo outro. Tudo pontual. É como uma fábrica, sempre a andar. É isso mesmo que eu quero. Nada mais.
Os exames do costume, adiados até ao limite como de costume. Mamografia em silêncio. Óptimo, falar para quê, depois vêm os relatórios.
As ecografias, e o doutor a falar, e eu admirada, costumam ser mudos e senão quedos, pelo menos uns penedos. E eu esperava isso.
Mas este falava, e muito, e bem, e explicava, e sossegava, dizendo tem mas é normal, 2 cms no esquerdo mas no direito está igual, na direita cá está também mas não se preocupe, não tem problema. Obrigada por falar doutor. Na esquerda, na esquerda, passa, mede, compara com a direita, e doutor as palavras? E pede os relatórios e diz que vai ficar com eles para comparar, depois manda. E antes, de ir. Deixe só ver outra vez, compara com a direita dá-lhe outro nome e a senhora vista-se, vou comparar com os outros e depois faço o relatório.
E eu apetecia-me tanto dizer-lhe, obrigada doutor por falar, não fosse ele ter perdido as palavras e eu com medo de que ele se arrependesse por ter começado, a falar.
Obrigada doutor.

segunda-feira



















Eu sei que não está sol, que não é fim-de-semana, que não é tempo, que está frio, que a vida é outra, mas vi isto na menina limão, e sei lá … apeteceu-me trazer para aqui a ternura.

domingo, 22 de Novembro de 2009

Não me interessa














Não me interessa, sei que deixo pegadas, dedadas, rastos, marcas, traços de cada vez que te espreito e cedo à curiosidade de te ver. Não me interessa e já nem me importo que me notes, assim, à descarada.

sábado, 21 de Novembro de 2009

facebook











Eu não percebo nada de facebook nem de redes sociais, e agora ainda me falam em dar de comer a vaquinhas no farmville.
Não percebo como se pode fazer assim amigos e desamigar, conectar e desconectar, como é que o nosso nome vai parar, assim sem saber como, a alguém que já na não vemos há mais de 20 ou 30 anos.
Pedidos de amizade??? O que é isso? Como é que eu posso dar ou pedir assim amizade… sem olhos, sem falares.
Não percebo nada. Ainda procurei na minha mania de querer entender mas fiquei na mesma, como o outro.

aqui












Pois é, cheguei, estou daqui para aí. Como diz o P, aqui é sempre aqui não importa onde seja o aqui.
Aqui contigo aí, aqui.