quinta-feira, 12 de outubro de 2017

o que eu quero dele








dele, eu quero que seja terra. terra arável. e se não for arável, quero arrancar as ervas daninhas com as mãos, fundo, com dedos e unhas e tudo, e sentir as raízes a soltarem-se do solo teimoso, e torná-lo macio, e fértil. quero semear nele, e plantar e colher. ao semear, quero poder demorar-me em cada estação e descansar no pousio em que ele procura, também, acolhimento. sendo ele terra arada, quero correr por ele afora e enterrar o meu corpo todo e ficar com o perfume da vida colado na pele, que é o aroma que exala dele também. eu quero que ele seja terra e nele enraizar-me e fazer dele meu abrigo, meu alimento, meu lar, e eu dele, razão de ser. dormirei nele, e ele em mim. ele, por todo o lado, eu, em todos os poros dele.










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