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a ana é tão castiça! diz a mulher sentada à minha frente, enquanto conversamos. apelida-me de castiça. não se cansa de me chamar castiça. francamente filipa! se o quer, seja manhosa! e aqui vem outro castiça emoldurado numa expressão de espanto. sabe o que se diz sobre as raposas terem a manha de sete mulheres e as mulheres a de sete raposas? pois ora... a mulher, que tem cerca de trinta e cinco anos e um rosto bonito, olha para mim receosa. por um breve instante pondero se devo continuar, mas ela por vezes enerva-me, noutras alturas comove-me. caramba, nós somos mulheres, sabemos como fazê-lo. insinue-se e recue, seja inteligente e bem humorada, quando ele estiver convencido de que a tem, mostre-lhe que não é assim. não se lamente, mostre-lhe que a vida pode ser leve, e não se ofereça, sobretudo não se ofereça, ele que não pense que a tem na mão. emudecida, a mulher olha, ora para mim, ora para o telemóvel na esperança de uma mensagem dele. pensa ela que é com roupas sofisticadas e quilos de maquilhagem na cara que o há-de conquistar. eu, conto o tempo que me sobra para preparar o jantar, olho para aquele nome online que me poderia ser tão útil, e penso nos prós e nos contras de aplicar o que digo à outra. tivesse eu, pelo menos, a manha da raposa...
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