terça-feira, 10 de outubro de 2017

desperdicio








Maria olha para as flores em cima da mesa onde janta, e repara que a jarra quase não tem água. pousa a cabeça nas mãos e respira fundo com os olhos húmidos de lágrimas. talvez chorasse se estivesse só e assim aliviasse o peso de alguns dias, o peso de alguma vida, mas naquele momento era preciso alimentar as plantas e levantou-se, encheu os copos que estavam na mesa com água, e verteu o líquido transparente, lentamente, pelo caule das margaridas brancas. o dia tinha chegado ao fim e apenas trabalhou. as horas esgotaram-se, ela esgotou-se. antes de dormir pedirá perdão, pelo desperdício.











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