lembro-me então daquela mulher nova, que caminha vergada com medo de cair, agarrada a uma ponta da camisola do companheiro. caminharia sem aquele insignificante apoio, mas não acredita. 'espera, luís, deixa-me agarrar', 'espera. luís, senão não consigo', 'espera, luís, senão caio'. e o luís espera, e o luís deixa. a mim parece-me que embora o luís esteja ali para ela se apoiar, o luís não está verdadeiramente ali. cansado daquilo, o luís deixa o corpo e parte para o seu mundo.
'ela precisa daquela incapacidade', diz-se dela, 'precisa que cuidem dela, que olhem para ela. por isso recusa-se a andar'. 'precisa, um raio', penso eu agora que estou perante um cagagésimo da dificuldade dela, 'precisa, um raio'. basta um estalar de dedos e tudo treme, tudo cai, tudo desmorona.


Ana, quem precisa nem que seja um cagagésimo, nem sempre, mas está em maus lençóis. Fica bem :)
ResponderEliminarum cagagésimo não chega sequer a um milésimo de milésimo :)
EliminarÀs vezes apetece-me recusar andar. Mas não sairia do lugar.
ResponderEliminarquantas e quantas, Olvido.
Eliminarbeijo
isso é gripe... infecção nas vias respiratórias, atinge o ouvido e mexe com o equilíbrio
ResponderEliminarFalta de carne e de vísceras
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