sábado, 20 de maio de 2017

à mulher que nunca tinha gerado um filho no seu ventre











e depois ainda havia, naquela roda de mulheres sentadas no chão, aquela que nunca tinha gerado um filho no seu ventre. a ela, a sacerdotisa colocou um dedo entre as sobrancelhas, e fez com que viajasse até verdes prados. aí, fê-la una com a terra, mãe, criadora, fértil, e falou-lhe que ela também era semente na terra, que podia fazer crescer do solo, cuidando da natureza. depois, encostou-lhe a mão no centro do peito, e disse-lhe que tudo o que dali transmitisse para os outros, seria fecundo e fazer-se-ia vida. por fim apontou-lhe o laríngeo e disse-lhe que também pela palavra seria mãe, pela palavra também ela semente. falou-lhe ainda que cantar e dançar eram uma forma de unir a sua parte terrena com a divina, e que cantasse e dançasse. 









4 comentários:

  1. Ai ana, tão bonito. Todas podem ser mães afinal :)

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    1. há tantas formas de se ser fértil :)
      beijo, Maria

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  2. eu sou mãe das minhas peças de teatro :)

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    1. E do que nasce no peito de quem as vê :)

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