quinta-feira, 4 de junho de 2026

azul

 





o mar tem-se excedido em azul. 

percorro a marginal, como de costume todas as manhãs, e a cor daquela água fria riscada de branco leva-me sempre de volta à recordação de um tempo longínquo, em que nos meus olhos guardava todos os azuis do mar para lhe contar dos meus dias, na esperança de o fazer sentir a maresia, a nortada, as gaivotas.

às vezes fazemo-nos poemas para nunca serem lidos, fazemo-nos personagens desviadas pelo vento. e a vida passa, como uma mandala tibetana, desfeita num sopro.





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