no céu esteja quem fez o descanso - murmuro, recostando-me na cadeira do restaurante, ao lado da janela. na minha frente está a minha mãe (ela nem sabe as graças que dou por a ter aqui), e invisivelmente entre nós a minha avó, naquela frase que repito de cada vez que me é permitido descansar de um cansaço grande.
no céu esteja que fez o descanso - dizia a minha avó, diz a minha mãe, digo eu, formando um regaço em que nos amparamos, umas às outras, num reconhecimento mudo
comemos devagar, conversando com calma de coisas banais - os vizinhos que passam, o bem que ali estamos, o street food à nossa porta, o tempo, os rapazes... saboreamos a pizza, saboreamos os minutos, saboreamos a vida, saboreamos as insignificâncias.


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