terça-feira, 14 de novembro de 2017

sorri sempre




















de repente veio-me à memória que eu devia curar aquela mulher em mim. como se fossemos o prolongamento uma da outra, o mesmo sangue a correr-nos nas veias
[o que é que dela, eu tenho em mim? ]

conta-me ela que
quando fui ao médico, ele ficou admirado por eu ainda ter nódulos. disse que não  era suposto eu ter e ficou a olhar para mim com um ar muito triste. eu disse-lhe 'doutor, todos olham para mim como se eu fosse morrer já, mas eu não me sinto a morrer', então os olhos dele ficaram cheios de lágrimas, e eu fiquei cheia de medo.

ela fala como se estivesse a rir e eu imagino que aquela mulher de corpo franzino, a minha professora de yoga, esteja apavorada. então ela diz
agora vamos fazer a respiração. queres que conte?
quero
e ela vence as dores, que, rindo, diz que tem, e dá a aula, fazendo as posturas todas, do principio ao fim.

reflectidas no espelho, estamos as duas e ela parece tão pequenina ao meu lado.

só queria que estas dores nas costas não fossem dos rins. a medicina chinesa diz que é a nossa energia vital a sair, e eu não queria nada isso.
e ela sorri. sorri sempre.