quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

parece fácil





















o homem-terra quer que eu descanse, que faça introspecção, medite, não tenha medo e que esteja 10 minutos por dia na praia. parece fácil.

nem sempre é pacifico chegar à praia. hoje o corpo dizia-me que não. o coração acelera, as pernas doem, os zumbidos aumentam. boicoto-me.
negoceio comigo mesma. três passos de cada vez, ou dez, vá lá. visto o casaco - uma vitória - pego nas chaves e na mochila - outra vitória - conduzo o carro pela marginal - mais uma - estaciono perto do acesso pedonal - estou quase lá - percorro o caminho e estou de frente para o azul todo enfeitado de branco e barcos e aves e registo nesta foto - respiro fundo. agora são meia dúzia de metros para a direita com o vento a ajudar nos passos. ando devagar, não estou ali para calcorrear passeio. à medida que acompanho o areal, vou-me sentindo mais leve, respiro melhor, os ouvidos desentopem. volto para trás, e faço o dobro do caminho para a esquerda, para depois caminhar metade da distância para o ponto de partida. 
o tempo é um pequeno pormenor, molda-se. estou ali para sentir o mar, o ar, a nortada, as aves, o apelo da areia, no corpo.

volto para casa e continuo a trabalhar, como se não tivesse saído, mas com o coração cheio de azul.









14 comentários:

  1. manda-me um nadinha desse azul, Ana, por favor.
    com um pássaro com olhos de menino e um salpico de mar.

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  2. bleu c'est la couleur de mes rêves (lembrei-me)

    o azul que se traz no coração só se transmite quando dois corações se juntam, num abraço :)

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  3. e sempre que o céu fechar a sua persiana, à noite, terás os corais, um pequeno ponto tecido a cores, para que nunca sintas medo.

    deixo um beijo no teu coração, Ana bonita. :)

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  4. também o medo se veste de azul e enfeita-se de corais.

    beijo, menina bonita

    (fiquei a sorrir para as aulas de violino)

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  5. não me digas que o medo também se veste de azul e enfeita-se de corais, se assim for, mente-me, eu preciso acreditar em algo bonito, para não sentir medo quando o medo se deitar comigo.

    (obrigada, Ana, pelo teu sorriso. guardo-o comigo)

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  6. quando o medo se deitar contigo, olha para ele bem no fundo dos olhos, e diz-lhe que não precisas dele, que pode ir embora. ele entende se falares do coração.

    obrigada menina bonita, por me fazeres ver-me.

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  7. sabes o que vou fazer? vou tirá-lo do fundo da cama, onde ele tem a mania de se esconder, e colocá-lo a conversar com o medo. e dar-lhe um puxão de orelhas para parar de ser tão medroso. :))

    gosto de ti, ana.

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  8. terapia da praia :D
    já viste se duplicasses o tempo, o que podia acontecer?
    bom dia maresia!

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  9. em vez de um ano, tinhas roubado dois...
    bom dia Manuel :)

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  10. Nessa terapia eu acredito! Tenho pena de não a praticar mais, mas irei assim que puder. Oxalá as marés fossem capazes de trazer até aqui as bolachinhas de limonete.
    Abraço
    ~CC~

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    1. Um dia aparecerei aí com as bolachinhas, CC.

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  11. O coração pintado de azul e a maresia nos cabelos. É o que eu trago sempre da minha praia :)

    Um dia feliz, ana :)

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  12. faltam as algas pousadas no areal, nesta altura do ano.

    bom dia, Miss :)

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  13. já viste que pela primeira vez na vida posso dizer que tenho um ano?!

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