quarta-feira, 15 de junho de 2016

falta de coragem











confesso que não tive coragem de o amputar de um sonho. enquanto, com as lágrimas a pingarem-lhe no queixo me diz que não vê razão de viver na vida que toda a gente leva, tirar um curso, arranjar um trabalho, casar e pronto. diz ele que tem que lutar pelo seu sonho, e que para isso precisa de tempo, e que não pode perder tempo com coisas que que não alimentem esse rumo que traçou para si. 
eu refuto com a conversa de que está a criar condições, mas sei tão bem cá dentro do peito como esses caminhos tantas vezes fazem diluir os sonhos, dissolverem-se no acomodar dos dias, no pensamento ocupado com conveniências.
não tive coragem de o amputar de um sonho. eu que já nem me lembro de os ter tido. eu, que, assim como ele, só vejo à minha volta gente que vive porque lhes aconteceu terem nascido.
não tive coragem de o amputar do seu sonho, e vou ter dedos apontados, olhares indignados, gentes expectantes, à espera que falhe, para que possam dizer que bem me tinham dito o que já vão dizendo.
já me esquecia...e como eu o admiro...










mail













acordo às seis menos um quarto, ou às quinze para as seis, como dizes tu, com o telemóvel a anunciar a chegada de um mail do centro budista. com o olho esquerdo aberto, rogo-lhes uma praga levezinha. caramba, adormeci tarde, tive uma noite do camandro e um mail às seis menos um quarto, hora do porto, quinze para as seis, hora de lisboa...bolas.

queriam dar a conhecer as actividades para junho. e deram, embora o mês já vá precisamente a meio. mas no cantinho do lado direito trazia este vídeo de Thich Nhat Hahn, e eu acho que foi por isso que ele lá de cima fez questão que eu acordasse assim. se tiverem paciência, e olhem que é logo no início, por isso não perdem muito tempo, vejam o que ele fala sobre a orquídea. é tão bonito, e tão, tão...que quase que dá vontade de esquecer das coisas feias da vida.

aqui está: