quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

perdas




























eu gostava de não ser uma mãe tão cansada, pensa a mulher enquanto ouve as vizinhas falarem da maravilha que é o amor de mãe. a mulher cala-se, passa ao lado, faz de conta para não ser chamada para a conversa. diz sempre lá para ela mesma, naquela mania de falar sozinha, que deus distraiu-se, devia ter incluído na definição de mãe a impossibilidade do cansaço. do cansaço e da doença, que mãe devia estar isenta desses dois senãos.

é já noite, tão noite, quando acaba de trabalhar, e ainda tem em casa filhos que anseiam por mãe, e ela que perdeu o colo nas esquinas dos dias, que perdeu a ternura no passar do tempo, que perdeu o falar de amor no anseio de compreensão, que perdeu o abraço na desilusão da injustiça, que perdeu os afagos no seu corpo cansado. 

todos os dias promete a si mesma... já perdeu a lembrança do que prometeu a si mesma...

















8 comentários:

  1. caramba, lágrima ao canto do olho. (...) *

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  2. oh Vanessa... isso não...
    há dias, sabe... :)
    abraço forte forte, para as duas *

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  3. Há mesmo dias do diabo para não dizer outra coisa, Ana!

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  4. obrigada! que bom...abraço para ti Laura :)

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  5. há Ava, há mesmo. mas todos os dias são precisos, mesmo parecendo que não :)

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