fui eu que escolhi o lugar - a pequena esplanada no cimo das rochas do pequeno cabo ao lado do castro que separa as praias.
o vento soprava gelado naquele fim de tarde. vinha de norte e acompanhava as ondas altas daquele mar todo à minha frente. eu respirava fundo, sentia com intensidade o arrepio da pele, o frio por debaixo da roupa larga.
a sede que eu tinha daquele ar, daquele palavrar esvoaçado espalhando salpicos salgados.
as outras mulheres aconchegavam-se nas roupas enquanto falavam de dietas, injecções, problemas hormonais e trabalho. eu, ali, e as saudades dali a reconhecermo-nos.
Que bom voltar a lê-la, Ana. Tinha saudades desta sua escrita que nos põe a respirar o mesmo vento e a sentir o mesmo mar — é sempre um aconchego lê-la, mesmo quando o ar sopra gelado. Sentir esse arrepio no meio da conversa do dia a dia é algo em que me reconheço muito.
ResponderEliminarUma pequena nota só para lhe dizer que o blogue que tem ali em baixo na sua lista (que era A Minha Honda) mudou de nome e de morada para Entre Curvas. Se um dia quiser atualizar o endereço para continuar a acompanhar o que vou escrevendo, a nova morada é www.entrecurvas.pt.
Um abraço e que não tarde a escrever de novo!
Obrigada Daniel. Vou alterar o nome do blog.
EliminarBoas escritas! 😊
Reconheço: também já lhe tinha saudade; passava e repassava, mas sempre o mesmo post.
ResponderEliminarFalta-me o espírito e a prática de esplanadas, mas gostei de mergulhar nas diferenças entre quem vai porque gosta do lugar e, ensimesmado, deseja repetir; e quem, até talvez mais assíduo, vai sem outra ocupação do que o "falatar" de Vergílio Ferreira. O lugar é o mesmo, mas outra é a alma/mente que o vive.