quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

o medo de Luisa



























ela responde-lhe que não, que não quer livrar-se dos medos, afinal de contas é o que a mantém com os pés assentes na terra. os medos protegem-na de ilusões, nos relacionamentos, nos amores, no trabalho. 

Luísa vive sempre com um pé atrás. é o medo que lhe prende o pé. assim, quando ela se sente a aproximar de alguma situação que possa trazer desassossego ao seu coração, o medo segura-a, se está próxima de arriscar o trabalho, que não gosta, mas que é seguro, pela aventura de algo que lhe dê mais prazer, o medo, aí está, e impede-a, se fica à beira de abrir a sua alma e expor a sua essência, também o guardião da segurança, atenta a que ela a tenha bem resguardada.

não, ela não quer deixar os medos partirem. até a quem a vê, ela tem aquele ar todo seguro, passo firme na rua, vida alinhada com as normas.

é à noite, em casa, com as portas bem fechadas, que ela se atreve a sonhar que não tem medo, e que vive por inteiro, que arrisca a ser feliz, e que se se enganar, levantar-se-à mais uma vez, se assim for preciso.