domingo, 7 de fevereiro de 2016

domingo













 é domingo. os pardais e as gaivotas refastelam-se ao sol. a mulher senta-se na sanita, apoia a cabeça nas mãos e diz, merda, merda, merda, que seca. tem que ir por caminhos que não são da sua natureza. e é domingo, e os pardais e as gaivotas vivem como não houvesse amanhã nem ontem, nem dias de chuva, e como se o sol não pudesse acabar.

 ela levanta-se, toma banho, entrapa o dedo que cortou quase de alto a baixo na mandolina, veste-se, perfuma-se e resolve fotografar os pássaros. a porcaria de um polegar faz-lhe falta. ele fê-la cortá-lo por tantas razões e ela recusa-se pensar nisso. no descuido, no trabalho em excesso, na falta de atenção ao por menor, ao simples...uma porcaria de um dedo, mas sabe, que se não atentar ao recado, ele vai insistir, até que ela acate.

 estes são os pássaros que vejo, hoje, neste dia de sol, Trovisco.