Francisco tinha-se distraído, tinha deixado passar quase um
ano. Foi de repente que se apercebeu e naquele instante susteve a respiração,
tirou os óculos, esfregou os olhos e ficou com o olhar embaciado, parado,
naquela mancha verde de relva em frente à porta da sala. Um ano... felizmente
não ultrapassou aquela barreira, aquela norma que se impõe naquele tipo de
relações. Nem ela o tentou, estranhamente não tentou. Se o tivesse feito ele
não teria deixado passar tanto tempo...um ano, quase...naquela subtileza de não
querer nada, de deixar que os dias se sucedam com pequeninas cumplicidades, com
quase imperceptíveis alegrias. Quase um ano... naquele mesmo dia resolve que basta. Um ano naquilo...
Maria sabia que estavam 'naquilo' há quase um ano. Todos os dias ela sabia. Adivinhava-lhe os humores, entristecia das suas tristezas e alegrava-se quando
sentia nele, também, alegria. Mas ela sabia que um ano era demais, e, que
apesar do seu desprendimento, Francisco chegaria àquele dia. Já estavam juntos
há tantas vidas...gostava ela de pensar...que aquele momento que se aproximava
era mais uma repetição, ou talvez não. Haverá um tempo, uma vida, um lugar, em
que coincidirão para além do desencontro, dos desencontros. Entretanto é só
mais uma etapa.


