há vários dias que Luísa tem, no seu computador, uma página aberta que diz 'o que faz o seu coração bater?'. Luísa não arranjara paz de espírito para mergulhar no que aquelas palavras lhe poderiam trazer, carregava o coração resguardado com receio de fracassos e repetia para si mesma que não tinha vida que chegasse para falhar outra vez. quando alguma inquietude que lhe lembrasse uma possibilidade de amor, lhe assomava, Luísa esperava que passasse, que a vida lhe atravessasse o que, por bem, lhe arrefeceria os ímpetos. e arrefecia. e a tantos arrefecimentos Luísa se habituou, que vivia a sua vida sozinha. aprendera a lidar com aqueles medos nocturnos que pediam abraços, com as preocupações que careciam de ombros, com as tarefas que pediam partilha. mas acostumou-se de tal forma que não trocava a sua solidão por companhia alguma que lhe pudesse parecer algo mais.
mas Luísa tem um senão. é a pele. ao nascer uma fada fadou-a para ser de toque, e que só reconheceria a sua pele, noutra. para contornar a maldição, Luísa tem uma cama grande, e rebola durante a noite, do lado morno para o frio, ao sentir a diferença de temperatura, sente a pele.


