comecei o dia a fraccionar o corpo, e, enquanto preparo o almoço, e com o meu dia todo atrasado, penso que tenho três oitavos do fogão avariado, se não me falham os cálculos. já em tempos chamei o técnico que levou a placa para arranjar, sob ameaças de que talvez não tivesse conserto, e que substitui-la custaria um preço, digo eu, não ele, que eu não poderia pagar na altura. ora, veio a placa com fama de estar direita, e eu a respirar de alívio. mas, na realidade, e verifiquei mais tarde, só 5 oitavos funcionavam bem. mantive a dita assim, e nem reclamei com medo de que a levassem outra vez, e eu sem poder trabalhar outra vez, e mais custos outra vez, e, às tantas, a ter que comprar uma nova, e onde é que vou arranjar dinheiro, outra vez.
enfim, por medo e cansaço e necessidade, tenho um fogão onde só funciona cinco oitavos, sendo que os três oitavos me fazem muita falta. acomodei-me a um remedeio que me atrapalha a vida, limita-me e consome-me tempo, que é tempo de vida, certamente.
enquanto o salmão vai dando sinais de estar grelhado, eu vejo a minha vida numa placa de indução. tal e qual, com um tamanho fora do comum, custos que eu não suporto, a funcionar parcialmente, impedindo de rentabilizar devidamente o trabalho e o meu tempo, de uma marca que já não se fabrica, mas chique, muito chique. agora perguntem porquê este fogão? porque já cá estava, quando vim para cá morar, de certa maneira foi-me imposta. sem dúvida alguma acomodei-me.


