segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Empequeninas-me















Empequeninas-me. Fico perdida no tempo em branco com o espanto de quem tem tudo por ver.
Desencontras-me da idade e o tempo afinal não passou, com a vida ainda por vir.
Vens de outro mundo, de outras memórias, mostrar-me o que outrora me foi vedado.
Sigo para ti, nua, frágil, leve.

Embrulho-me num xaile para escrever estas palavras, tremendo de frio e recusando o sono. Um dia, hei-de olhar e não lhes reconhecerei o sentido. Não saberei que foram para ti, por ti, de mim, sequer.














mercy














for all we ought to have thought and have not thought
all we ought to have said and have not said
all we ought to have done and have not done
i pray thee, god, for forgiveness
























vontades

























debaixo do chuveiro, àquela hora que faz desesperar os vizinhos, lembra da amiga do riso cristalino e espontâneo. a ela, o riso solta-se-lhe fruto de vontades e malícias, de absurdos e sintonias. agora, percebe que as vontades esfumam-se, desaparecem, as do corpo e as do espírito. será isto envelhecer ou aquele estado que ela tanto desdenhou de que falam aqueles que procuram a evolução espiritual, de eliminar o desejo e anular a ansiedade... lembra-se da conversa com aquele homem que lhe perguntava pela sua relação amorosa - está morna, dissera-lhe, calma demais, eu não queria isto para mim - e ele - numa filosofia de vipassana é o ideal - e ela - vipassana? credo... eu queria era paixão, qual vipassana numa relação amorosa - e agora ela, à procura das vontades, dos desejos, e só lhe fica aquela calma, que não sabe lidar com ela, faz-lhe lembrar os 'imortais' de 'o aleph'.