amanhã vai começar tudo outra vez e dona fernanda está estarrecida. não fez resoluções para o ano que já começou há três dias. por todo o lado as vê. nas redes sociais, nos blogues, nas conversas de rua. e ela nada. vai ser atropelada por uma betoneira de acontecimentos em desordem, sem alinhamento algum.
esta vida de pirataria não é para mim, eu, condessa de Maresia, fui feita para areais, quando muito, rebentações em praias mansas. agora, sem que tenham consideração nenhuma, nenhuma mesmo pelas minhas desorientações, temporais, espaciais, causais, situacionais, dou comigo nas vísceras de um tubarão, tendo escapado inteirinha, à sua cremalheira dupla, assim como o meu aliado cigano, também engolido pela criatura, que não sei por alma de quem, não para de escrever... acho que já soube, mas já não sei outra vez... tanto quanto me lembro, a capitã juntou as meninas e donzelas para um brunch... um brunch... valham-me os deuses, um brunch num barco pirata... vê-se logo que trazia água no bico, ou rum no sabre, sei lá... ai que não sei de nada... só um super-herói para nos tirar daqui, que o isqueiro está a ficar sem petróleo e o cigano só pensa em escrever...
'without love and action we miss the meaning of life.' naquele domingo a mulher deixa-se ficar enrolada no edredon, ouvindo a chuva que cai com força. agradece o abrigo, o aconchego, a amizade que lhe amacia os dias, a alegria que torna a vida melhor, a saúde e a falta de certezas que lhe permite perceber a grandeza dos outros, do que a rodeia.