agora, passados os tais mais de vinte anos, e dona de um sono que não acorda por razões naturais, nem quando os amigos vêm para cá curar bebedeiras, nem quando passeiam-se pela casa, a meio da noite, com latas de atum e tostas mistas, pois sim, mas agora, aparece-me o do meio com uma febre danada e eu, ao mínimo movimento dele, dois quartos a nascente do meu, e estou eu a saltar da cama, com os detectores de filhos todos ligados, e encontro-me com o outro que quase desmaia de susto e manda-me para a cama, porque diz ele de manhã, eu estava a falar com os olhos fechados, enquanto copos de água e termómetros, e comprimidos por todos os lados, e recomendações, muitas recomendações, a noite toda, coitado...
e era eu que dizia que são grandes, os meus barbudos que se desenrasquem, e vem uma febrinha, e eu, deus me livre, que não fiquem doentes... olha, sabes, e volto a ser mãe outra vez, e, por saber disso, a agradecer-Lhe, a Ele, outra vez, que, coitado, de ouvidos cheios de mim, todo baralhado com os meus motivos de gratidão.

