sexta-feira, 20 de novembro de 2015

obrigada




























a lição é também sentir-se preenchida com aquilo que lhe é oferecido naturalmente. o bom dia inesperado, o sol, o mar, o mar, o mar, o mar, a chuva, o vento que não seja muito frio, mas se for frio, o poder senti-lo, o passeio na rua, a maresia, a maresia, a maresia, a maresia, as flores, as violetas que teimam em florir sem descanso, ela mesma por dentro e até onde, dentro dela, ela pode chegar, a noite bem dormida, ou mal, mas o descanso, lenny kravitz, que ela nem sabe porquê, canta na cozinha, calling all angels, o trabalho que lhe traz, arrancado a ferros, claro, mas traz, o sustento, e, quando, como agora, parece que lhe falta de um lado, aparece-lhe de outro, os amigos inesperados e distantes que sem o saberem lhe estendem a mão através de uma partilha numa rede social, o respirar que me ensinaste a fazer melhor, cada vitória sobre a minha própria fúria, sobre o fervilhar dos pirolitos todos que sobem à cabeça, o teu pé ante pé e a tua paciência infinita para de tão longe fazeres o meu dia melhor. 

(obrigada, porque depois de ter reparado que tudo o que queria fazer para preencher o meu tempo custava dinheiro que eu não tenho, me fez olhar para o tanto que tenho por dentro.)