domingo, 20 de setembro de 2015

silêncio
























diz-lhe o homem-terra
- diz-lhe que sim! não o faças sofrer, coitado do homem
- não quero
insiste ela
- mas porquê? é feio? é pobre? é mal-educado?
- não é nada disso, é bonito, é novo, tem várias casas, vários carros, é educado, beija-me a mão, abre a porta do carro, afasta-me a cadeira da mesa para eu me sentar, tem sentido de humor, canta para mim e faz-me rir
- mas então porquê mulher?
o homem-terra acha que ela precisa de um testo para a panela dela, como lhe diz ele, a fêmea precisa de uma macho, o branco do preto, o sol da lua, o fogo da água, a mãe terra do pai céu... enfim, implicações da natureza que ela recusa, insistindo naquele caminhar solitário na vida.
- porque isso é o superficial dele, disso eu gosto, é engraçado. mas e depois? o lado profundo, onde nos vamos encontrar quando o silêncio se instalar, como nos entendemos quando chegar a hora de os olhares falarem, poderia eu mergulhar na alma dele, ele na minha? não...
o homem-terra cala-se, encolhe os ombros...
- ai rapariga, só me dás trabalho...