Foi ali que me surpreendeste com as tuas palavras, que eu não contava, que eu nunca esperei. Escrevias-me «Picasso dizia: não procuro, encontro». Reagias ao mail que te enviara, depois de te ler, numa de muitas noites em que te lia aos bocadinhos por aqui, «Abro páginas, encontro espelhos», escrevi-te.
Como é que foi? perguntas-me de vez em quando perdido no meio de tantos comentários que te enviam, textos, livros, sei lá. Como é que foi que nos prendemos em palavras, eu presa nas tuas, tu à espera das minhas num correr de dias até hoje. Nunca mais te disse que algumas das tuas páginas são espelhos meus, por pudor.
Mas os dias continuam connosco pelo meio, nesta distância próxima, e à tua voz que do lado de lá, não importa de onde, me pergunta «minha amiga, estás a lavar a loiça?», «minha amiga, estou a ligar em boa hora?», faz-se em mim um sorriso, um alívio. P.
Hoje lembrei-me deste pedaço de nós.

