mas se ele não está, é com os pés mergulhados no mar, pisando a terra, no tronco de uma árvore ou na delicadeza de uma flor que me encontro, mas tão longe de quem me vê.
quinta-feira, 30 de agosto de 2018
ele
mas se ele não está, é com os pés mergulhados no mar, pisando a terra, no tronco de uma árvore ou na delicadeza de uma flor que me encontro, mas tão longe de quem me vê.
terça-feira, 28 de agosto de 2018
amor
perguntou o homem, ficando à espera de uma resposta que tardava em chegar
é feliz?
insistiu
são momentos, sabe?
respondeu-lhe recorrendo àquele eterno lugar comum e sabendo que aquele homem inquieto nunca ficaria satisfeito com aquela resposta
não é feliz?
regressou ele
sou feliz quando sou verdadeira.
...
quando o conheci,
...
quando o conheci,
conta-me ela
desejei intensamente ter força para ser eu, verdadeira, inteira. com o lado de dentro de fora, e mostrá-lo, porque é preciso parecê-lo, também, entende? e não é fácil. e existem fortes probabilidades de ele recusar o que vai perceber.
eu que a ouço, fico a pensar que aquele desejo é a maior prova de amor, dela, por ela mesma.
eu que a ouço, fico a pensar que aquele desejo é a maior prova de amor, dela, por ela mesma.
domingo, 26 de agosto de 2018
chão
eu não sei como alguém como eu, tão bronco, consigo fazer estas coisas...
diz o homem-terra, todo dobrado sobre si mesmo
num gesto de carinho incontido, passo a mão ao longo do seu braço
tu estás tão diferente, tão melhor. mudaste tanto nestes quatro anos... tens noção disso?
o homem, sentado no chão, apoiado na baqueta do tambor, como se de uma bengala se tratasse
sabes o que é? é que ao contrário do que pensam, eu não estou aqui para ensinar. eu estou aqui para aprender. aprendemos juntos, crescemos juntos. por isso nos sentamos todos no chão. estamos todos ao mesmo nível, caminhamos juntos
sexta-feira, 24 de agosto de 2018
fuga
e a mulher calada, foge, foge, foge, sufocada.
terça-feira, 21 de agosto de 2018
sem espanto
é nisso que ele me falta. e quando me falta, também eu me falto.
sexta-feira, 17 de agosto de 2018
memória
estás presa numa memória...
ouço a mulher dizer à outra que fala de um sentimento de solidão que não sabe explicar.
eu sei. mas não é desta encarnação.
responde-lhe.
senti-o quando estive na Batalha.
murmura, falando mais para se ouvir do que para a outra ouvir. como se falando naquele sentir, conseguisse recuperar uns segundos daquele viver
é um sentimento de perda. perdeste alguém que era militar.
eu sei.
continua.
[há tanto tempo que sei. há tanto tempo que espero.]
parece que a ouço por dentro. como se aquele falar a ajudasse a dizer adeus. finalmente.
terça-feira, 14 de agosto de 2018
ela
sabe...
começa ela. e eu sei que aquele
sabe...
é a forma de ela articular as palavras para o que quer dizer, e sorrio.
sabe...é aprender a confiança, aquilo a que alguns chamam fé. é isso que ando a aprender. confiar que tudo o que vem, vem por bem. mesmo que eu não o entenda.
aceitar que eu possa ser aprendiz, mas também lição. e é tão mais doloroso ser lição... sabe, pudesse eu sentir sempre a alegria daquele que aprende...
segunda-feira, 13 de agosto de 2018
dos dias
...
amélia partiu deixando-me a esperança de que poderá regressar se eu precisar de reavivar os seus ensinamentos. agora chegou samanta, toda ela voluptuosidade e transformação. como que abrindo caminho para ela entrar, amélia bem me tinha dito que a perda não é perca, mas sim transformação.
domingo, 12 de agosto de 2018
férias
às vezes a melhor forma de caminhar, é ficar parado, e ver, e acalmar, e olhar para dentro.
diz o homem-terra, sentado no chão, com o seu corpo todo, largo, pesado, a lembrar uma montanha, querendo fundir-se com a terra.
sexta-feira, 10 de agosto de 2018
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