o jardineiro de pessoas abeirou-se da mulher que lava o
futuro nas margens do rio
a minha profissão tem feito com que eu assista ao degradar
da condição humana, e quando eu vejo aqueles corpos a esvaírem-se de vida, fico
a pensar se a alma partirá para algum lugar depois de deixar o corpo
a mulher que lava o futuro nas margens do rio mergulhou o
seu olhar no do homem inquieto e contou-lhe do que sabia e do que viu nas almas
já desprovidas de corpo que encontrou nas viagens pelos mundos fora do mundo
mostre-me mais, leve-me consigo
murmurou o homem que leva os dias ajardinando pessoas
difíceis são as viagens quando a distância vem de dentro do
peito, todas as outras são possíveis

