até já.
terça-feira, 19 de junho de 2018
blog
até já.
domingo, 17 de junho de 2018
dar-lhe fim
jorge luis borges
oraculador
para variar digo que sim, que quero consultar o oráculo
é o quê?
é oráculo celta
diz o homem novo
boa! eu quero, fazemos uma troca
sugiro eu, agarrando a oportunidade
seguras as pedras, dizes o que queres saber e depois largas as pedras
explica-me o homem novo
então eu seguro as pedras, penso com intensidade no que quero saber, digo-lhe, e deixo cair as pedras
ora bem
diz-me o oraculador
o que está para trás são as tuas experiências passadas, actualmente é o caminho que estás a fazer com o que aprendeste, e o futuro será o inevitável
concluiu o oraculador
eu olho para ele, ele olha para mim, e digo
faz todo sentido, fico muito grata
sábado, 16 de junho de 2018
pontes
que me queres?
pergunto ao homem-terra quando atendo o telefone
não quero nada de ti mas sinto que estás cansada e liguei para te aliviar
diz ele à distância de várias pontes e algumas cidades
se sentisses o meu cansaço nem saías da cama
respondo-lhe comovida de uma comoção que tento disfarçar mas que ele também sente
eu sei, rapariga, eu sei
e eu, que vejo aquele homem bronco crescer em humanidade e compaixão, sinto-me aliviada, sinto-me acolhida, e falamos, e rimos, e eu descanso nele, e ele sossega em mim
quinta-feira, 14 de junho de 2018
lucidez
a mulher que dizem ter perdido a lucidez, vira, na cama, o seu corpo franzino e pálido, deixando entrever nas costas, na abertura da t-shirt cortada, as tatuagens coloridas das asas de borboleta
eu aprendi a não deixar que me desrespeitem
murmura
quarta-feira, 13 de junho de 2018
toino
diz a mulher saída daquela comunidade piscatória, povoada de mulheres que perderam os homens na faina
tu precisas é de um homem que saia para o mar durante seis meses e que venha a terra uma semana. de outra maneira não te aguentas
terça-feira, 12 de junho de 2018
Endireita
No local de espera, ao ar livre, onde debaixo de uma ramada
de kiwis tento apanhar réstias de sol que amenizem o frio da nortada que finta o
fino tecido do vestido que trago, o
homem ao meu lado enumera, para que o filho o ouça, diversas formas de matar
pardais; no alpendre, um grilo enjaulado e um canário engaiolado soltam sons
que se quer crer que sejam cantos, e não lamentos; o homem carrancudo à minha
frente tem a unha do dedo mínimo enorme, assim como a unha do polegar do outro que
se senta à minha esquerda, chego a pensar que seja um nail code.
Arrasto a minha cadeira de plástico para o sol e chego a
sentir -me contente por não chover. A mulher do endireita passa com o seu
avental debruado a galinhas, gemendo de dores e agarrada ao abdómen. Espero que
não seja dos ossos que ela se queixa.
ordem nos dias
reinou a calma e o calculo passou a ser exacto.
segunda-feira, 11 de junho de 2018
chove
Ilmatecuhtli acordou ferida do seu sonho, asa tombada na queda do risco mal calculado, vertigem da profundidade de um peito aberto. Conta-se que terá trocado a deusa, a serenidade eterna, pela efemeridade das paixões terrenas. No desencanto certo de um amor desacertado, ferida a deusa e privada do brilho com que acendia a luz nas noites dos céus, quis Hury, o deus das tempestades, eterno protector de Ilmatecuhtli cobrir o céu com um manto espesso de onde apenas trespassavam as gotas das lágrimas das estrelas, fazendo da primavera inverno.
quarta-feira, 6 de junho de 2018
do dia
chegar no momento oportuno ao local certo sendo o intruso que restaura o equilíbrio, ser o silêncio que quebra o ruído.
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