No local de espera, ao ar livre, onde debaixo de uma ramada
de kiwis tento apanhar réstias de sol que amenizem o frio da nortada que finta o
fino tecido do vestido que trago, o
homem ao meu lado enumera, para que o filho o ouça, diversas formas de matar
pardais; no alpendre, um grilo enjaulado e um canário engaiolado soltam sons
que se quer crer que sejam cantos, e não lamentos; o homem carrancudo à minha
frente tem a unha do dedo mínimo enorme, assim como a unha do polegar do outro que
se senta à minha esquerda, chego a pensar que seja um nail code.
Arrasto a minha cadeira de plástico para o sol e chego a
sentir -me contente por não chover. A mulher do endireita passa com o seu
avental debruado a galinhas, gemendo de dores e agarrada ao abdómen. Espero que
não seja dos ossos que ela se queixa.

