Faço um chá de camomila e tomo com torradas de azeite e queijo de cabra, como se apenas agora tivesse descoberto o prazer dos sabores e das texturas e do aconchego da bebida quente. Parece-me que é nas pequenas coisas de todos os dias que consigo renascer, reencontrar-me, quando ando desencontrada de mim.
sexta-feira, 8 de dezembro de 2017
torradas de azeite com queijo de cabra
Faço um chá de camomila e tomo com torradas de azeite e queijo de cabra, como se apenas agora tivesse descoberto o prazer dos sabores e das texturas e do aconchego da bebida quente. Parece-me que é nas pequenas coisas de todos os dias que consigo renascer, reencontrar-me, quando ando desencontrada de mim.
coisas do amor
eu amo-te
eu não entendo como
foi a única resposta que encontrei para aquele homem que tanto quis
todos os dias quando me levanto, e antes do primeiro copo de água morna, eu encho os ouvidos do criador. lamento, coitado, cheio de mim que ele deve estar. mas todos os dias eu peço-lhe, entre tantas outras coisas, para me ajudar nas coisas do amor. no amor que eu tenho por mim, no amor pelos outros, no amor que eu emano. que me ajude a aceitar o amor dos outros por mim, o amor dos outros uns pelos outros, que me ajude a amar sem esperar nada em troca, a aceitar que eu também sinta amor, e que me ajude a respeitar o amor que sentem por mim. no entanto, no meio disto tudo, não me consigo livrar de um sentimento de culpa, por não retribuir de igual forma, o amor que têm por mim. por isso, ajuda-me a aceitar o desencontro de amor, e a não carregar em mim, o fardo do desencanto que causo. bastam-me os meus.
quinta-feira, 7 de dezembro de 2017
da natureza
- a andreia telefonou-me a contar que tinha acabado com o namorado. ela era mais velha do que ele 22 anos e tinham há muito combinado que se aparecesse outra pessoa que pudesse ser importante para eles, terminariam o namoro. e apareceu, a ela, um homem que insistiu, e conseguiu que ela quisesse ficar com ele
eu acompanho o que me conta com um 'ai sim?', 'e ele?', 'e ela?', 'e eles?', e 'estão bem?'
- sabes?
continua a mulher
- no fundo o que elas querem todas, é homem. não interessa como, é homem. devem gostar de lavar cuecas e fazer almoço e jantar, e ouvir ressonar. sei lá...não percebo!
- é natural que queiram
digo eu, sabendo que aquilo é tema delicado
- natural? natural como?
- natural de natureza. é da natureza...
- ora... da natureza... $%#$%&&=)(.....
- então, querem companhia, amparo, poder conversar, partilhar. esse tipo de coisas
embora sem proferir palavras, eu sei que continua a desenrolar o rosário de impropérios e quase pragas para aquilo que não quer entender, que não quer admitir
devias arranjar alguém
- agora sim, posso dizer que tenho alguém que gosta de mim...
ela fala do namorado que trabalha em itália e vem passar dezembro com ela
- estou ansiosa por aquele abraço...
e enquanto fala, abraça o peito com os seus próprios braços, e trinca o guardanapo de papel, fechando os olhos
naquele momento, ela é ela e é ele, o amor dos dois num só corpo. eu diria que o amor, todo ele
- é que faz falta, sabes? faz falta alguém que nos abrace, que nos dê aquele carinho, aquele apoio... devias arranjar alguém, ana, sabes? devias...faz falta...
e ela fala assim como se fosse fácil, sentir os dois num só, quebrar a distância, como os dois fazem. ela, trabalha no café e nas horas livres trabalha aos dias numa doutora, ele, instala aparelhos de ar condicionado por essa europa fora.
quarta-feira, 6 de dezembro de 2017
a dedicatória
mensagens
- lá está o homem a mandar mensagens
- porque é que lhe respondes?
- eu não respondo. mas, coitado, já viste? todos os dias de manhã e à noite, e eu nem o conheço
o rapaz olha-me com ar de reprovação
- também aceitas amizade de todos!
- não é verdade! temos 60 amigos em comum...mas tens razão...
então todos os dias o tal amigo envia-me, acompanhadas com ramos de flores virtuais
- Um bondia hoje mais tarde do que o questume xao beijinho
- bon dia e um felis sabado
- Boua noite beijinho
- Boua noite beijinho
terça-feira, 5 de dezembro de 2017
ciclo lunar
então, talvez seja por ao quarto dia a lua ter deixado de estar cheia, que o mundo desaba. talvez escoe pelo mesmo buraco por onde desaparece a luz da lua, não sei. sei que maldisse as bolachas. coitadas das bolachas sem culpa nenhuma, e acabei pedindo desculpa por isso a um tabuleiro de doze inocentes bolachas de amêndoa, por tantos impropérios. as dores das bolachas, como toda a gente sabe, acabam por se reflectir no corpo, e dói tudo, dói o que não é suposto doer. os vulcões de chocolate, esses calharam bem, e as empadas também. só não sobrou tempo para preparar as massas para amanhã. mas como a fechadura da porta da rua avariou, pode ser que nem consiga sair de casa. as pessoas da casa parece que fizeram um pacto de mau humor, e isto, ao fim de um dia de trabalho dá vontade de entrar no carro e sair sem destino, só para sentir a estrada a correr debaixo dos pneus. cocozices, é o que é, como a carta do hospital que nunca mais chega com a consulta marcada. mas eu acho que as desimportâncias escoam-se da mesma forma que vai desaparecendo a lua, para depois, quando pensamos que ela já nem está la, voltar a aparecer, assim, sem parar.
lua cheia
a mulher da beira do rio conta que foi o terceiro dia consecutivo em que a lua esteve cheia e imensa, sem que lhe faltasse sequer aquele bocadinho de quando começa logo no dia seguinte a minguar. ela guarda as margens virada para nordeste esperando mais dois dias.
- só mais dois dias de lua cheia, diz ela, e o norte unir-se-á ao sul, o este ao oeste, os mares abraçarão os céus, a chuva acariciará a terra, as flores terão voz, as lágrimas serão apenas dos poemas, os amantes dormirão nus, vida e morte darão as mãos, as palavras serão dom do olhar, os velhos serão venerados, e por fim, os meus dedos tocarão a pele dele, os meus lábios, os seus.
segunda-feira, 4 de dezembro de 2017
caixas de plástico
domingo, 3 de dezembro de 2017
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