quinta-feira, 9 de novembro de 2017
noites
nascente
quarta-feira, 8 de novembro de 2017
anatomia das tentações
dona fernada e os ímpetos
eu observo sentindo-me um misto de deliciada com a satisfação dela, e intrusa perante o seu prazer. pergunto-lhe
- sente-se bem?
- sim, sim. agora sim...
- ah...
digo, não sabendo o que dizer
- ai, vizinha... ando com desatinos de corpo, ímpetos sem fundamento palpável. um abismar do descontrolo, a muito custo controlado. nem lhe conto
diz-me ela, contando
- não sei se é das palavras daquele que lhe falei, se é das hormonas que o laboratório diz estarem bem comportadas, não sei se é mafarrico que se me colou, e, pior de tudo, nem sei o que fazer para acalmar isto que teima em se manifestar em mim. a vizinha que anda lá pelos iogas e por aquelas práticas espirituais, sabe como me ajudar?
ora eu, que me dou melhor com as invisibilidades do que com as carnes palpáveis, não sei como a ajudar nestes assuntos carnais.
- ora, dona fernanda, dê o corpo ao manifesto
digo-lhe, dissecando mentalmente a palavra mani-festo, e servindo-lhe uma terceira fatia de bolo, pelo prazer de a ver comer.
- como assim, vizinha?
corto também bolo para mim, pois já o meu pai quando não queria falar, enchia a boca de comida
- boa esta receita. não acha, dona fernanda?
coincidências
ora, eu e as coincidências...
terça-feira, 7 de novembro de 2017
e se...
segunda-feira, 6 de novembro de 2017
já fui
domingo, 5 de novembro de 2017
minguante
e deu-me um beijo nos lábios
o rato não apareceu e a lua está minguante. nunca se deve beijar alguém pela primeira vez em quarto-minguante.
quase
mas uma vez por outra, sim, coincido.
sábado, 4 de novembro de 2017
a mulher da festa
- ó manel, então essas argolas nas orelhas são para quê? e essa corrente que trazes pendurada, é para me levares presa? (do sr. doutor eu gosto muito, gostei logo, assim que o vi no casamento). ó miúdo! esqueceste-te do soutien em casa? e tu, vânia, andas com grandes decotes... ó lina, dá de comer ao sr. doutor. coitado, tem o prato vazio (do sr. doutor gostei assim que o vi).
a verdade é que todos os convidados sentiram-se mais aliviados, como se as palavras que ela dizia, lhes estivessem a sufocar, de entaladas na garganta.
- sempre fui muito feliz. sabe, menina? por isso é que tenho saudades. fui muito feliz e ainda sou, então, tenho sempre muitas saudades. sempre trabalhei muito com a graça de deus, mas naquele dia em que ia lavar a roupa ao rio, que eu já disse ao senhor presidente da junta que não me pode tirar aquele rio de ao pé de casa, que eu lavo e seco lá a roupa, mas naquele dia eu estava a roubar umas rosas do jardim, e vai o burro, mete a cabeça no meu saco e come-me o telemóvel. foi por causa disso que caí, e nunca mais voltei a ser a mesma. mas tenho muitas saudades, porque sou muito feliz. senão não tinha.
a mulher foi a alma da festa, a voz que todos calavam, a saudade que ninguém tinha como ela.
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