segunda-feira, 6 de novembro de 2017
já fui
domingo, 5 de novembro de 2017
minguante
e deu-me um beijo nos lábios
o rato não apareceu e a lua está minguante. nunca se deve beijar alguém pela primeira vez em quarto-minguante.
quase
mas uma vez por outra, sim, coincido.
sábado, 4 de novembro de 2017
a mulher da festa
- ó manel, então essas argolas nas orelhas são para quê? e essa corrente que trazes pendurada, é para me levares presa? (do sr. doutor eu gosto muito, gostei logo, assim que o vi no casamento). ó miúdo! esqueceste-te do soutien em casa? e tu, vânia, andas com grandes decotes... ó lina, dá de comer ao sr. doutor. coitado, tem o prato vazio (do sr. doutor gostei assim que o vi).
a verdade é que todos os convidados sentiram-se mais aliviados, como se as palavras que ela dizia, lhes estivessem a sufocar, de entaladas na garganta.
- sempre fui muito feliz. sabe, menina? por isso é que tenho saudades. fui muito feliz e ainda sou, então, tenho sempre muitas saudades. sempre trabalhei muito com a graça de deus, mas naquele dia em que ia lavar a roupa ao rio, que eu já disse ao senhor presidente da junta que não me pode tirar aquele rio de ao pé de casa, que eu lavo e seco lá a roupa, mas naquele dia eu estava a roubar umas rosas do jardim, e vai o burro, mete a cabeça no meu saco e come-me o telemóvel. foi por causa disso que caí, e nunca mais voltei a ser a mesma. mas tenho muitas saudades, porque sou muito feliz. senão não tinha.
a mulher foi a alma da festa, a voz que todos calavam, a saudade que ninguém tinha como ela.
quinta-feira, 2 de novembro de 2017
o rato
quarta-feira, 1 de novembro de 2017
haloween
*
resolvi aceitar o convite para a festa de haloween. concluí que me é muito mais fácil vestir de bruxa, do que, todos os dias, de forma comum.
thankful
[just simple and intelligent conversation. means a lot to me. (também to me)]
terça-feira, 31 de outubro de 2017
nuvens
tu sabes dos meus cabelos que se levantam se tento penteá-los, os meus dedos que faíscam quando toco no carro (hoje, até em cebolas), a roupa que se cola ao corpo, o nariz que dá estalidos quando encosto ao teu.
além de estar a secar, consumo-me no que me rodeia.
talvez um dia destes lhe beije os lábios
queres vir caminhar?
resume-se a 200 ou 300 metros na noite fria, mas vou. ele espera-me junto ao rio e vem como se viesse às escondidas, e talvez venha mesmo.
sentamos?
digo que sim. claro que sentamos. ele não sabe, mas eu trocaria qualquer lugar no melhor restaurante por aquele banco à beira rio, e sentamos. então ele fala, fala, fala, como uma criança que chega a casa ao final do dia de escola e conta as brincadeiras com os colegas, os ralhetes da professora, da menina que o encanta, das asneiras às escondidas, das lições que aprendeu. não se cala, apesar do frio. eu ouço e rio-me. rio com vontade, mesmo. rio pela espontaneidade dele, daquele homem bem mais velho, com responsabilidades políticas e vida social irrepreensível, aparentemente.
é uma criança
penso. e enquanto penso, mostra fotografias, fala da sua juventude, das corridas de automóveis, da vida em coimbra, dos seus amores adúlteros, garantindo-me que não se torna a apaixonar, fala da sua família, da mulher, dos filhos e dos netos.
está frio. posso encostar-me a ti?
podes, mas não acho boa ideia
e ele afasta-se, escondendo as mãos geladas entre as pernas
vais ficar constipado, vamos embora
sim, vamos. dás-me um beijo?
claro que não! que disparate!
ele olha para mim, acabrunhado
fizeste com que fique envergonhado, acho que corei.
eu olho-o com ternura. talvez um dia destes lhe beije os lábios.
segunda-feira, 30 de outubro de 2017
muitos anos
eu não acredito nisso de contornar obstáculos - digo-lhe. e são poucas as pessoas a quem posso dizer as coisas que lhe digo a ela - tens que te projectar para lá deles. ver além do que vês. percebes? assim, vrrruuuummm. atravessá-lo, até, e passar para o outro lado. tu podes. como vais contornar esse muro se nem sabes onde ele termina?
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