quinta-feira, 2 de novembro de 2017
o rato
quarta-feira, 1 de novembro de 2017
haloween
*
resolvi aceitar o convite para a festa de haloween. concluí que me é muito mais fácil vestir de bruxa, do que, todos os dias, de forma comum.
thankful
[just simple and intelligent conversation. means a lot to me. (também to me)]
terça-feira, 31 de outubro de 2017
nuvens
tu sabes dos meus cabelos que se levantam se tento penteá-los, os meus dedos que faíscam quando toco no carro (hoje, até em cebolas), a roupa que se cola ao corpo, o nariz que dá estalidos quando encosto ao teu.
além de estar a secar, consumo-me no que me rodeia.
talvez um dia destes lhe beije os lábios
queres vir caminhar?
resume-se a 200 ou 300 metros na noite fria, mas vou. ele espera-me junto ao rio e vem como se viesse às escondidas, e talvez venha mesmo.
sentamos?
digo que sim. claro que sentamos. ele não sabe, mas eu trocaria qualquer lugar no melhor restaurante por aquele banco à beira rio, e sentamos. então ele fala, fala, fala, como uma criança que chega a casa ao final do dia de escola e conta as brincadeiras com os colegas, os ralhetes da professora, da menina que o encanta, das asneiras às escondidas, das lições que aprendeu. não se cala, apesar do frio. eu ouço e rio-me. rio com vontade, mesmo. rio pela espontaneidade dele, daquele homem bem mais velho, com responsabilidades políticas e vida social irrepreensível, aparentemente.
é uma criança
penso. e enquanto penso, mostra fotografias, fala da sua juventude, das corridas de automóveis, da vida em coimbra, dos seus amores adúlteros, garantindo-me que não se torna a apaixonar, fala da sua família, da mulher, dos filhos e dos netos.
está frio. posso encostar-me a ti?
podes, mas não acho boa ideia
e ele afasta-se, escondendo as mãos geladas entre as pernas
vais ficar constipado, vamos embora
sim, vamos. dás-me um beijo?
claro que não! que disparate!
ele olha para mim, acabrunhado
fizeste com que fique envergonhado, acho que corei.
eu olho-o com ternura. talvez um dia destes lhe beije os lábios.
segunda-feira, 30 de outubro de 2017
muitos anos
eu não acredito nisso de contornar obstáculos - digo-lhe. e são poucas as pessoas a quem posso dizer as coisas que lhe digo a ela - tens que te projectar para lá deles. ver além do que vês. percebes? assim, vrrruuuummm. atravessá-lo, até, e passar para o outro lado. tu podes. como vais contornar esse muro se nem sabes onde ele termina?
aos dias
ontem, a cena foi igual. quando nos cruzámos, ela sempre apressada e eu sempre com pressa, do carro em andamento, anuncia-me - bacalhau com broa!. já na semana passada, encontrámo-nos na frutaria, e confidenciou-me - hoje só tenho os meninos. hambúrgueres com ovo estrelado e batata frita.
vai-me dando motes para as refeições sempre que me encontra. adivinha, sem o saber, que ando cansada de pensar em cozinha, e, embora eu não siga as indicações que me dá, alegro-me com a sua alegria, de andar a servir aos dias, conciliando os seus dias com os dias deles.
na verdade, eu acho que são os anjos que ma põem no caminho para amaciar o chão que piso.
o meu amor
domingo, 29 de outubro de 2017
distância
dele
- ele é inteligente, dá-me espaço, não reclama, não exige. senão, não havia eu e ele. um dia ele invadiu, impôs-se, e olha, desapareci. meses e meses. mas quando estou com ele, gosto de estar, é bom, crescemos um com o outro, ou pelo menos, eu cresço com ele. quando não estou com ele, não sinto a sua falta, estou bem, nem me lembro de ter vontade de o encontrar, mas quando encontro, é tão bom outra vez, e parece que temos um íman, porque só estamos bem juntos, o pé dele toca no meu, os joelhos um no outro, falamos disparates ao ouvido, e depois, quando nos separamos...olha, é como quero estar, sem ele. se ele se encontrar por dentro com outra mulher, ficarei feliz mesmo, porque são tantas as mulheres que o desejam, e continuarei a gostar de estar com ele, quando estiver, e a estar ainda melhor, quando estiver longe dele.
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