mas como lhe dizia, não tinha que ser assim, mas foi. reconheço que permiti que assim fosse, permiti tudo. confiei, sabe? pergunta-me em que é que confiei? olhe, sei lá. sei que coloquei o meu coração na ponta dos dedos, nem lhe vou dizer durante quantos dias, até tenho vergonha. agora ele? desapareceu. puff! sem mais, sem aviso, sem porquê. eu? nã... eu fico quieta no meu lugar. encho-lhe os ouvidos a si. o que sinto? ah...a confiança, sabe... acho que se foi, fiquei com um muro no olhar e pedaços de gelo nas mãos. até o corpo desafinou. parece-me que foi o que em mim ficou dele, a desconfiança, aquela que se prolonga, que contagia o que rodeia. mas tenho pena, muita pena. é muito feio tornar-me nisto por causa daquilo, mas é fácil de disfarçar.
Palomar
Há 9 minutos


