quarta-feira, 24 de maio de 2017

enquanto eu me perco com as horas








O homem da conferência que me diz que a palavra falada tem uma força afirmativa/curativa própria, fala de outra forma de inteligência, "Quando a nossa actividade é inteligente, nós somos elegantes. Não falamos demais, não acendemos botões a mais, não fazemos percursos de automóvel a mais. Entras numa espécie de estado minimal. A actividade inteligente é uma incrível economia prânica, uma incrível capacidade de lidar com o espaço e com o tempo e uma competência no dia-a-dia."















terça-feira, 23 de maio de 2017

o tipo de post que não deve ser publicado num blogue











enquanto a minha amiga me confidencia que não consegue falar com mais ninguém sobre a situação que vive com o filho mais velho, eu lembro-me dos momentos difíceis que vivi com os meus filhos, em que inúmeras vezes pensei não ter capacidade para os educar, e, agora, aqui sentada com a bochecha ainda arranhada pelas barbas deles, estou grata pelo que passei, pela oportunidade que a vida me deu de crescer com eles, de aprender a tolerância, o respeito, a paciência, a verdade, o amor, a compaixão, a infância, a espontaneidade, a vulnerabilidade, a solidariedade, a dor, a alegria, e outras coisas mais que eu não escrevo porque isto está a ficar muito lamechas. 















tarantella










      o rapaz entra de olhos semi-cerrados na cozinha. parece um zombie. 
- fazes ideia de como esta música faz doer a minha cabeça?
pergunta, antes do beijo de bom dia, e tentando pousar a cabeça no meu ombro.
eu cozinho, aos saltinhos, ao som de uma tarantella.
- não percebo. alguma memória dos recônditos das tuas vidas passadas, que tu rejeitas. só pode ser...
eu sei que o que digo deve ser um disparate.
ele encolhe os ombros, abana a cabeça, e vai embora. 
eu continuo a rodopiar. 
não deve ser fácil para eles serem meus filhos. a sério. e tu sabes do que falo.









segunda-feira, 22 de maio de 2017

interno





















em 2016 registaram-se mais de 31 milhões de deslocados internos. pela fotografia se percebe que são pessoas que mudam de lugar com a vida às costas. como se lê no artigo, uma vez que não são refugidas, não têm estatuto que lhes conceda apoios.

daqui de onde me sento, alterno o meu olhar, entre as árvores que ondulam lá fora ao sabor do vento, e a imagem desta mulher com o filho amarrado ao corpo, os pertences às costas e as cabras presas por uma corda.

estava eu insatisfeita com o quê? saudades de ti?











domingo, 21 de maio de 2017

mim











acho que posso dizer que vivo grande parte da minha vida desfasada. sinto o que não vejo, falo com quem não conheço, viajo para onde não vou, leio o que não está escrito. até o silêncio, hoje, tive que o procurar dentro de mim, por entre o ruído e o movimento do domingo, normal para qualquer pessoa, um exagero para mim. o i'm only human after all, não me contempla, a mulher do campo que vive dentro do meu peito, precisa de terra para pisar. esgoto-me nos dias que vivo e que não me parecem ter sido desenhados para mim. se ao menos chovesse...











indignação






ainda a cerca de 50 kms de casa, a mulher diz ao neto, pelo telemóvel, que está quase, mesmo quase a chegar. eu, que vou a conduzir, como sempre a velocidade de cruzeiro, sabendo do trânsito e da distância, digo, de forma a que me ouçam do outro lado do 'fio', que não, que ainda demoramos. a mulher ao meu lado, indignada, pergunta-me:
- se ele fica mais contente com a mentira, porque lhe dizes a verdade?









sábado, 20 de maio de 2017

à mulher que nunca tinha gerado um filho no seu ventre











e depois ainda havia, naquela roda de mulheres sentadas no chão, aquela que nunca tinha gerado um filho no seu ventre. a ela, a sacerdotisa colocou um dedo entre as sobrancelhas, e fez com que viajasse até verdes prados. aí, fê-la una com a terra, mãe, criadora, fértil, e falou-lhe que ela também era semente na terra, que podia fazer crescer do solo, cuidando da natureza. depois, encostou-lhe a mão no centro do peito, e disse-lhe que tudo o que dali transmitisse para os outros, seria fecundo e fazer-se-ia vida. por fim apontou-lhe o laríngeo e disse-lhe que também pela palavra seria mãe, pela palavra também ela semente. falou-lhe ainda que cantar e dançar eram uma forma de unir a sua parte terrena com a divina, e que cantasse e dançasse. 









Ainda sobre o sonho - T2








Sobre o undying love foi Isolt quem me contou. Mostrou-me um espelho, onde, para além da minha imagem, via em profundidade outros vultos, podiam ser eus. Falou-me da reverência por mim mesma, de poder criar o futuro com a força do amor.












Ainda sobre o sonho








Foi Amaterasu quem mo disse - ser autêntica é projectar na aparência o meu ser interior, já ser verdadeira é agir conforme aquilo em que acredito.






sexta-feira, 19 de maio de 2017

bom dia professor









naquele momento mínimo, exactamente antes de acordar, recebo uma mensagem no meu ainda sono que me diz para ser autêntica e verdadeira. ora, eu não sei qual é a diferença...

dez passos depois fora da cama, o homem da palestra no vimeo pergunta o que nos tira da cama de manhã, e, quais são as nossas fontes de entusiasmo. 

são oito horas e saí da cama para fazer bolachas (sabes...bolachas...).