aprendera que era no silêncio que ele melhor ouvia, na sua voz calada, a urgência, dele.
quando ela falava, enfeitava o querer, com palavras inventadas, mapas de estradas que não existiam, danças atabalhoadas, desenhos infantis, poemas de manoel de barros, folhas amarelas e vermelhas que apanhava do chão, areais lavados e ondas perfeitas, e assim, arrancava-lhe sorrisos. e para ela, imaginar que ele sorria por causa dela, valia todos os silêncios da sua voz calada, como a nudez das árvores despidas e a esperança da água que se elevava do mar para beijar o vento.
depois, ele partia, para aquelas coisas da vida que realmente valiam a pena e onde se sabia o que faz andar o mundo e as gentes que não se fazem ouvir no silêncio. e com traços e números e letras e palavras, ele sabia porque o mar se elevava em ondas, e não era para beijar o ar.
então ela, recolhia, porque, dizem os xamãs, o outono e o inverno são estações de recolhimento e introspecção, só não lhe tinham dito que se podem alastrar pelo peito dentro e fazer-se corpo.