sábado, 10 de dezembro de 2016

palavras














- lembro-me muito do que me disse aqui há uns tempos, a propósito das notas da margarida. na verdade ela não tem notas boas, embora não tenha tido negativas, mas tem outras coisas tão boas...realmente não se pode comparar os filhos.
- é verdade - digo - um três do raul tinha tanto ou mais mérito do que um cinco do daniel. as dificuldades que ele tinha que ultrapassar, eram tantas, não só de aprendizagem, como de personalidade.
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- lembrei-me tanto de ti, ana. zanguei-me tanto com as minhas filhas, que saí de carro e andei a conduzir horas a fio com as lágrimas a caírem-me pela cara abaixo. mas olha, a partir desse dia tudo mudou.
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- se calhar tínhamos que falar hoje, porque eu tinha que te dizer para ires à praia, conversar com o mar - diz-me aquele homem louco, de uma loucura que eu entendo.
- se calhar tínhamos que falar hoje, porque eu tinha que ouvir o que me estás a dizer - continua o louco, pelo skype.
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- olho para os meus filhos e lembro-me de todas as coisas que me disseste, que a maior parte das zangas não valem a pena, que eles mudam e tornam a mudar - diz-me do outro lado do telefone, aquele homem, nas horas de ansiedade em que me procura.
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agora, o sol anuncia recolhimento, e eu revejo o dia e agradeço pelo que me dizem, e pelas formas que eles encontram de mo dizerem e me fazerem perceber que me entendem, quando eu pouso as palavras devagar.
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alguma coisa continua errada na minha aparência. também a varredeira me trata por tu...
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é verdade - crandberries - medicamento natural para as infecções urinárias...essas que resolveram voltar a brincar comigo...










pavlova - 2ª parte

















foi então que descobri que fazer uma pavlova é como fazer amor, mesmo. normalmente eu dedico-me inteira quando cozinho. aconchego o sal na mão antes de o deitar nos preparados, agradeço o sacrifício dos animais que morreram e peço que os vegetais não sofram ao serem cortados. só aqui conto isto, pois não iria abonar muito a meu favor se comentasse com quem me rodeia. quando vejo algum alimento ser rejeitado, ainda arrisco um 'meninos, façam com que a morte deste animal não tenha sido em vão e comam, para que se transforme outra vez em vida no vosso corpo.' nem sempre resulta, até porque não me dão muita credibilidade. 'a mãe acredita em coisas esquisitas', pensam, cada vez menos.

voltando à pavlova, deve fazer-se lentamente e com tempo.
levantam-se as claras até começarem a fazer bicos moles, quando ao levantar a batedeira, as claras formarem bicos mais ou menos resistentes, junta-se, aos poucos o açúcar e continua-se a 'mexer' (com a batedeira) até ficarem duras e brilhantes. depois, retira-se a batedeira, e acrescenta-se, mexendo lentamente, uma colher de chá de vinagre branco, outra de baunilha e meia colher de sopa de amido de milho.
verte-se num tabuleiro forrado com papel de forno e coze, em forno lento durante cerca de uma hora. depois de cozida, arrefece dentro do forno.
a pavlova deve ficar húmida no interior, formar uma espécie de marshmallow.
depois de fria, pode-se cobrir com chantilly e framboesas. para que o chatilly não fique mole, costumo misturá-lo com mascarpone. 
em vez das framboesas, pode-se deitar chocolate derretido, açúcar caramelizado, nougat de qualquer coisa, um curd de limão ou maracujá...

o contraste, na boca, do suspiro, chantilly e acidez do fruto, dá vontade de repetir. 

quantidades:
120 grs de claras (4 claras)

200 gramas de açúcar em pó
1/2 colher de chá de extracto de baunilha
1 colher de chá de vinagre branco
1/2 colher de sopa de amido de milho (maisena)


cobertura:
240 ml de natas
20 g de açúcar granulado branco
1/2 colher de chá de extracto de baunilha
frutos do bosque q.b. (ou outra fruta a gosto)

forno a 130ºC durante 60-75 minutos.
sem se tirar a pavlova do forno, trilha-se a porta com uma colher de pau, para que fique só uma frincha aberta, e deixa-se arrefecer lá dentro.