
não me tirem a esperança. a ingénua esperança de que a humanidade esteja a caminhar para o bem, de que não se assiste ao que de bom acontece, porque não é vendável e os noticiários não o divulgam, mas que mesmo assim existe. não me tirem a esperança de que eu mesma posso melhorar e fazer com que os outros melhorem, um a um, pouco a pouco, porque o bem é contagioso. não permito que me tirem a esperança de que tudo acontece por um propósito maior e de que nada é por acaso, mesmo o que parece mau.
o bem é tão subtil, e, como dizem os africanos, uma árvore a cair faz mais barulho do que uma floresta a nascer. não me tirem a esperança na silenciosa marcha dos calmos, dos calados, dos persistentes, dos que nos dão a mão para ajudar a atravessar uma rua, uma estrada, uma ponte.
enquanto isso, vou costurar buracos de céu azul, para fazer uma manta que cubra o cinzento dos teus dias de inverno.

