quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

sobre parar






















escrevia eu que me assusta pensar nas formas que a vida tem de nos fazer parar, quando garantimos que não o podemos fazer, que o trabalho é importante, que as contas têm que ser pagas, que os compromissos têm que ser cumpridos. e sempre que falo assim, eu arrepio-me e bato na madeira três vezes. 
eu sei que o pessoal lá de cima não me deixa ser como o Tomás, o frei. o que eu digo, eu tenho que cumprir, quando afirmo que se deve agir de determinada forma, surge-me imediatamente uma situação que me faz sentir na pele, a doer, a sangrar, aquilo que referi de ânimo leve. alguém que diz lá em cima 'quero ver-te agora'.

foi de um momento para o outro, esta manhã, no espaço de um segundo ou dois, o coração dispara a bater como se estivesse a correr a maratona, e eu fico prostrada e assustada, nunca consigo deixar de me assustar com estas crises. quando consegui chegar ao aparelho, contava 172 batimentos por minuto, durante 10 minutos, bem melhor do que da outra vez tinha durado 15. sento-me, sinto de repente o músculo a abrandar, no espaço de um segundo ou dois, volta a bater a 77. fico cansada, muito cansada.

escrevia eu que me assusta pensar nas formas que a vida tem de nos fazer parar. mais cedo escrevesse, mais cedo parava.

está frio, já te disse que está frio?