tão habituada que estou ao silêncio,
que fico atordoada com a pessoa que,
frente a mim,
dispara palavras e ideias em todas direcções.
o corpo está-me cheio de tristeza, e foi assim sem saber como. primeiro um cansaço, depois uma distracção, uma palavra à toa, e de repente as mãos. acho que a tristeza começa pelas mãos a não quererem fazer nada, então, o corpo vai todo num arrasto, num esforço, e os lábios curvam, e as pálpebras tombam, e o peito encolhe e de repente parece que uma aranha me embrulhou na sua teia, teia de tristeza.
então eu lembro-me do ar da manhã e finjo que durmo, e tudo dentro de mim procura o ar com sabor a azul. mas há dias em que eu não me basto, então olho à volta, mesmo com os olhos fechados, e tento abrigar-me dentro de mim. nem sempre consigo.


