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enquanto percorro a estrada tento colar na memória, naquela que me fica, a imagem das árvores cobertas de outono. é por isso que me esqueço do que me dizem. enquanto falam ao meu lado, eu penso como te dizer das cores quentes, o vermelho, verde, castanho, magenta, bordeaux, amarelo, laranja, do brilho, do ondular, da fragilidade, da serenidade, do conforto. então invento para te dizer, deste outono por onde passo: castanhas assadas, merenda na praia com queijo pão e vinho, lareira, abraço com manta, crumble de maçã, sopa por uma tigela, risos e corpos cúmplices, um filme, um livro, duche quente.
apressa-te, muito em breve as árvores perderão as folhas.