quarta-feira, 9 de novembro de 2016

silêncio


















não está a televisão ligada, nem rádio, nem música. enquanto conversamos, a mulher sentada à minha frente, na sala da minha casa, olha à volta com expressão intrigada e comenta "esta casa deve ser um silêncio...", como se fosse um incómodo a ausência de ruído. 

são muitas as vezes, em que, como agora, sento-me em silêncio, olhando as árvores lá fora, os telhados e a capela, mais nada.

hoje, questiono-me, para quê. não sei.












almoço










- o que achas que vai acontecer?, pergunta-me. 
imagino que esteja preocupado com a minha expressão enquanto olho para a televisão, ligada, ao contrário do que é costume.
- não prevejo nada de bom, nem para as pessoas, nem para o planeta. também o hitler foi eleito democraticamente.
ele fica calado. tem o futuro pela frente. 
esperei vinte anos que eles crescessem e se autonomizassem, que não dependessem de mim em caso de guerra, mas agora as ameaças são incalculáveis.