maria escreve no ecrã do telemóvel e fica a olhar para a marca dos seus lábios no vidro, recortados no embaciado da sua respiração.
tenta com todas as forças não desejar muito aquele homem.
sabe que se desejar muito, faz acontecer. já aconteceu antes, várias vezes. e depois acaba de forma dolorosa, porque foi o seu querer a querer, e não o do outro.
mas naquele momento, enquanto toca na seta 'enviar', deposita o beijo silencioso demorado e fundo no ecrã, e recolhe rapidamente o desejo. não vá acontecer fazer acontecer e depois desacontecer.


