sábado, 5 de novembro de 2016

parece fácil











é sempre sobre os medos que se trata. 
chego a casa cansada, fugida da rua, à procura de descanso, solidão, silêncio, conforto.
disseram-me mais uma vez que é sobre os medos que se trata. conforme já me foi dito várias vezes, no mesmo lugar. tenho que falar com eles, com os medos, dialogar, dar-lhes corpo e ouvi-los, negociar. que tenho que ser verdadeira, dizem-me, vestir-me da pele da minha essência e enfrentar o mundo assim. e ter fé, e considerar sagrado tudo o que faço, porque o é, porque a minha vida é um milagre que eu esqueço de celebrar.

então a anciã, põe as mãos sobre os meus ouvidos, fá-las descer vagarosamente sobre a nuca, e com um óleo, desenha-me uma cruz na testa.