a folha permanece pousada na borda do frasco, com o caule e as poucas raízes que lhe nasceram, desoladamente mergulhados na água. é com o coração apertado que reparo que a folha da violeta morre. sei bem que naquele estado, mesmo que a plante, ela morrerá.
parti-a do vaso, por descuido. e como sempre faço, coloquei-a num pequeno frasco com água para que criasse raízes para poder plantá-la e fazê-la florir outra vez. está ali há alguns meses, na luta para ser violeta, e agora desiste. irá novamente para a terra e será alimento de outras plantas. como tudo.
não consigo evitar uma tristeza funda, e só aqui o digo. lembro-me do gato da minha amiga, que morre lentamente, do marido que aguarda um segundo fígado, e não noto diferença no meu modo de estar triste. lembrava-me hoje, depois de falar contigo, que tudo somos o mesmo, e não encontro melhor forma gramatical de o dizer, nem outras palavras para explicar.


