quinta-feira, 29 de setembro de 2016

não tenho do que conversar















as mulheres conversam, de pé, à sombra, no parque de estacionamento do Lidl. falam de limpezas, e queixam-se porque não conseguem ter a casa limpa, parece que os filhos e os maridos...uma consumição. uma delas está deprimida e fala de uma peúga que tem em casa, sem par. como pode uma peúga desaparecer, se a casa não tem buracos?

de manhã acendi as minhas velas, com pedidos e agradecimentos. uma pela família, outra pela criatividade, intuição e espiritualidade, outra a ogum, que me proteja o trabalho e a casa, outra ainda, na varanda, a todos que me protegem e aos quatro elementos.
não tenho do que conversar. 
não quero saber de limpezas, não vejo televisão nem leio revistas. 
olho o céu e chego ao teu. sinto o sol na pele, e toco na tua. o azul tem o teu nome, e cada vez me importo menos. 
do que fala, quem não tendo, tem tudo?